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Bolha imobiliária no Brasil não estoura, murcha..

Tendência de mercadoMuita gente acredita que no Brasil ainda não estão configurados todos os pré-requisitos para o estouro da bolha imobiliária, nos moldes do que aconteceu nos Estados Unidos, porque o nível de endividamento do brasileiro ainda é baixo e porque as garantias nos empréstimos imobiliários são mais sólidas (todo o sistema bancário brasileiro é mais sólido, mas traduza essa informação da seguinte forma: os lucros dos bancos no Brasil são tão altos que suas operações se tornam muito mais seguras).

Por essa visão, não acontecerá por aqui (pelo menos não tão cedo) o “crash” que aconteceu por lá, bancos não vão quebrar e as pessoas não vão perder seus bens da noite para o dia, apesar do valor dos imóveis, principal indicativo de bolha, ter atingido níveis estratosféricos no Brasil, com preços de metro quadrado mais altos do que Nova York, Paris, Madri, Londres, etc., em um contexto de infra-estrutura urbana que todos nós sabemos ser muito inferior a dessas capitais.

É possível tratar-se de ledo engano. Muitos analistas estão vendo a bolha imobiliária como fenômeno globalizado e se esquecem de que nada no Brasil acontece como em outros países. Como disse o senador Roberto Requião, tem coisas que só acontecem no Brasil, tal qual a jaboticaba (confira).

É preciso aclimatar a bolha imobiliária para os padrões brasileiros, pois tudo aqui acontece em um ritmo diferente..

O Brasil ganhou guerras sem disparar um tiro, chama de revolução um golpe de direita (64), o brasileiro paga a ligação celular mais cara do planeta quebrando recorde atrás de recorde na venda de celulares (em muitas cidades existem mais celulares do que cidadãos), também tem a internet mais cara do mundo e é uma das maiores presenças na web, e por aí vai.. é um povo tranquilo..

Aqui não tem tsunami, furacão, vulcão e a bolha imobiliária não vai estourar como aconteceu nos EUA, aquela tragédia, com milhares de pessoas perdendo seus imóveis em questão de meses, preços despencando, etc..

Aqui tudo vai acontecer em ritmo mais lento, com devidos intervalos para comemoração de jogo de futebol e carnaval.

A má notícia, é que esse processo já começou.. os primeiros sintomas são a enorme dificuldade de venda de lançamentos e os incríveis descontos para fechamento (recentemente recebi um email de uma construtora oferecendo um módico desconto de R$ 1 milhão em apartamentos seus a venda).

Analistas de mercado, não sei se por má fé ou incompetência, afirmam que o quadro não é preocupante, apontando para o volume de crédito imobiliário em relação ao PIB (muito menor no Brasil, comparado a outros países) e o potencial de crescimento de mercado em função do déficit habitacional.

Esquecem de dizer (seria de propósito?) que 70% da população brasileira está fora do mercado de crédito imobiliário (a não ser que houvesse um forte reajuste de preços = estouro da bolha) e os 30% restantes não sustentam esse aquecimento.

Segue o barco.. não haverá ruptura nem trauma.. os preços dos imóveis vão cair lentamente, devorando economias, e dando uma acelerada (de queda) após 2014..

Podemos dizer que no Brasil a bolha não estoura, ela murcha..

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