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Empresários da construção civil expõem seus temores

Perspectivas sombrias para os próximos mesesOs empresários do setor de construção civil estão mais cautelosos em relação à perspectivas de desempenho e crescimento econômico, conforme a Sondagem Conjuntural Nacional da Indústria da Construção, realizada pelo Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Foram ouvidos 241 empresários da construção de todo o país na pesquisa, realizada na segunda quinzena de agosto. O indicador referente ao crescimento econômico caiu pela quinta vez consecutiva e passou à perspectiva negativa pela primeira vez desde maio de 2009.

De acordo com o levantamento, houve queda de 6,56% nesse critério ante a pesquisa realizada em maio e de 25,5% na comparação com o ano anterior, para 46,89 pontos.

Nos critérios da pesquisa, valores abaixo de 50 significam desempenho ou perspectiva não favorável. A avaliação das perspectivas de desempenho piorou, com ligeira redução de 0,83% ante maio e de 8,3% ante um ano atrás, mas segue otimista, com 55,95 pontos.

O indicador desempenho da empresa teve pequena melhora, de 0,22% no trimestre, mas piorou 8,5% na comparação anual, para 53,7 pontos. A pesquisa foi realizada antes de o Banco Central reduzir a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto porcentual.

“A sinalização do governo de política monetária mais frouxa e política fiscal mais apertada é muito positiva”, diz o vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan.

Segundo ele, a tendência é de mais otimismo por parte dos empresários do setor. Na avaliação de Zaidan, a crise internacional não está afetando o setor.

“A construção civil trabalha no longo prazo, e os contratos estão sendo cumpridos.” A estimativa do Sinduscon-SP para crescimento do setor em 2011 é em torno de 5%.

No indicador perspectiva de evolução de custos, a avaliação ainda é pessimista, com 44,47 pontos, mas esse foi o maior patamar desde fevereiro de 2010. Houve melhora desse indicador de 8,02% no trimestre e de 3,6% na comparação anual.

A pesquisa apontou pessimismo também quanto à inflação reduzida, com 39,19 pontos, com melhora de 45,52% ante maio, mas piora de 16,8% ante um ano atrás.

Os empresários seguem pessimistas também quanto à condução da política econômica, mas o indicador avançou 15,34% na comparação com maio, para 47,44%.

Fonte: Folha de São Paulo

Opinião: É interessante acrescentar três outros indicadores que vão ao encontro da percepção dos empresários da construção civil: (1) a OCDE aponta o Brasil como o país com sinais mais claros de desaceleração da economia (é neste contexto que está a última – e inesperada – redução da taxa selic), (2) a procura pelo ouro como ativo de investimento no Brasil quadruplicou em 2011 (o ouro é o tipo de investimento que “todos” procuram quando as perspectivas são – muito – negativas), e (3) em relação ao mesmo período do ano passado, a inadimplência do consumidor brasileiro cresceu quase 30% (se você pensar que o Brasil passou pela crise de 2008 em função principalmente do seu mercado interno, essa notícia é muito preocupante). O mercado imobiliário certamente vai sentir essa inflexão, principalmente porque foi um dos que mais explorou – via alta de preços – o período de crescimento. Não é por acaso que vários especialistas do setor já falam em “acomodação” ou “aceleração mais lenta” de preços. Sofismas à parte, talvez seja mais sincero recomendar “segurem as peruca, porque o movimento vai ser forte”.

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